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Calçado de segurança · Norma e ensaios

Couro para calçado de segurança: o que a norma exige ao cabedal

Um couro só serve para calçado de segurança se o sapato completo passar a EN ISO 20345. Sem os ensaios do cabedal, não há certificação — e perdem-se seis semanas de calendário.

Guia da TL San Martín, curtume de origem em Elda (Alicante, Espanha) desde 1995, certificado LWG Gold segundo a norma de fabricante.

Jorge San Martín · TL San Martín Atualizado: 2026-09-03 Português

Um couro só serve para calçado de segurança se o sapato completo passar a EN ISO 20345. Ao cabedal, isso traduz-se em quatro números que o curtume tem de garantir por partida: resistência ao rasgo ≥120 N (Classe I), permeabilidade ao vapor de água ≥0,8 mg/(cm²·h), crómio VI <3,0 mg/kg e pH do forro ≥3,2. Sem esses ensaios, não há certificação.

Porque é que o SERP de «couro» não responde a esta pergunta?

Quem procura couro em português cai quase sempre em marcas de EPI ou em lojas de calçado. Ninguém explica o material do lado de quem o cura. E é aí que se perde dinheiro: o fabricante de calçado de segurança recebe uma amostra bonita, manda fazer o ensaio no laboratório notificado, chumba no rasgo ou na permeabilidade, e perde seis semanas de calendário.

Na TL San Martín curtimos em Elda desde 1995 e somos LWG Gold: a auditoria cobre a rastreabilidade da pele e a gestão química da fábrica — precisamente as duas frentes que um dossiê técnico de EPI volta a pedir.

Que valores tem o couro de cumprir na EN ISO 20344/20345?

Os requisitos estão na EN ISO 20345 e os métodos de ensaio na EN ISO 20344. Estes são os que dependem do curtume:

PropriedadeRequisito (cabedal de couro)Método
Resistência ao rasgo≥120 N (Classe I)EN ISO 20344
Resistência à tração≥15 N/mm²EN ISO 20344
Permeabilidade ao vapor de água≥0,8 mg/(cm²·h)EN ISO 20344
Coeficiente de vapor de água≥15 mg/cm²EN ISO 20344
Crómio VI<3,0 mg/kgISO 20344:2021+A1:2024, 6.11
pH (forro de couro)≥3,2; se <4, cifra diferencial <0,7EN ISO 20344
Espessura útil de cabedal1,8–2,2 mm (bovino curtido ao crómio ou livre de crómio)especificação de compra

Dois avisos práticos. Primeiro: a permeabilidade ao vapor é o requisito que mais chumba peles muito pigmentadas ou com top-coat pesado — quanto mais fechado o acabamento, menos respira. Segundo: o crómio VI não se «adiciona»; forma-se por oxidação do crómio III em armazém quente ou por má gestão de antioxidantes. Um lote conforme à saída pode deixar de o ser depois de três meses em contentor.

O que mudou com a EN ISO 20345:2022 e porque afeta o couro?

A revisão de 2022 mexeu em duas coisas que tocam diretamente o material:

Curtido ao crómio ou livre de crómio para EPI?

Os dois passam a norma. A escolha é operacional, não ideológica:

Crómio (wet-blue)Livre de crómio (wet-white / FOC)
Rasgo e resistência ao calorExcelenteBom, ligeiramente inferior
Risco de crómio VIExiste — exige controlo de antioxidantes e de armazenagemZero por definição
Preço indicativo2,20–3,40 €/pé²2,60–4,00 €/pé²
Uso típicoVolume industrial, botas de trabalhoCalçado de segurança para saúde, alimentar, contacto prolongado com a pele

Se o caderno de encargos do cliente final tem cláusula de crómio VI ou vai para mercados com restrição de PPE em contacto com a pele, o couro livre de crómio elimina o risco de origem em vez de o gerir.

O que pedir ao curtume antes de fechar a partida?

  1. Relatório de ensaio por partida, não um relatório genérico da referência. O rasgo varia entre lotes de peles.
  2. Espessura contratada com tolerância (por exemplo 1,8–2,0 mm, tolerância ±0,1 mm) e medição na zona de corte, não na barriga.
  3. Certificado de crómio VI com data, mais indicação de vida útil do resultado em armazém.
  4. Rastreabilidade LWG — no cabedal de EPI vendido a grandes contas industriais já é habitual pedi-la no concurso.
  5. Reserva de partida para reposições: mudar de lote a meio de uma encomenda de 5.000 pares muda a cor e obriga a novo ensaio.

Se está a começar, veja primeiro o couro para calçado e os tipos de couro; se a dúvida é de vocabulário, o que é o couro resolve-a em dois minutos. Para condições de compra, MOQ e amostras e comprar couro de Espanha.

E se ainda está a identificar fornecedores para uma partida certificada, pode dizê-lo diretamente no quadro B2B aberto da TL San Martín: é gratuito e responde quem fabrica.

Perguntas frequentes

O couro sintético (PU) cumpre a EN ISO 20345?

Cumpre, se passar os ensaios. A diferença está na permeabilidade ao vapor: muitos sintéticos só a atingem com perfurações ou com forro técnico, enquanto o couro a tem por estrutura.

Que espessura de cabedal se usa em bota de segurança?

Entre 1,8 e 2,2 mm. Abaixo de 1,8 mm há risco de chumbar no rasgo depois da montagem; acima de 2,2 mm a bota fica rígida e sobe o consumo por par.

Quantos pés² por par devo contar?

Para bota de cano médio, 9–12 pés² por par consoante a numeração e o encaixe. Peça sempre o cálculo sobre o seu molde, não uma média.

Quanto tempo demora uma amostra?

Amostra física de cor e acabamento: 1–2 semanas. Partida de produção: 1–2 semanas. Repetição sobre partida reservada: 1–2 semanas, sem nova amostragem — curtimos, tingimos e acabamos na nossa própria fábrica em Elda.

Procura ou oferece couro certificado para EPI? O Business Board da TL San Martín é um quadro B2B aberto e gratuito para o setor do couro e do calçado. Se procura cabedal com ensaios EN ISO 20344, se tem excedente de partida certificada, ou se quer encontrar quem o corte, publique o seu projeto na categoria Materials do board — é gratuito e a comunidade responde. 👉 Publicar no Business Board · Pedir amostras

Fontes: ISO 20345:2021 (texto de amostra ISO/iTeh) · EN ISO 20345:2022/A1:2024 · SATRA Bulletin, ensaios de calçado de segurança · SPARS Safety e M&M Protek, alterações da EN ISO 20345:2022.