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Fundamentos · Verificação

Couro verdadeiro ou sintético: como verificar

Que testes distinguem couro de sintético, quais são mito, e o que exigir por escrito ao fornecedor antes de fechar uma encomenda.

Equipa técnica de TL San Martín Atualizado: 2026-08-27 Português

Couro verdadeiro é apenas o material obtido da pele animal curtida. O sintético é uma película de poliuretano ou PVC sobre um suporte têxtil. Distinguem-se em seis verificações — corte da borda, desenho do poro, cheiro, absorção de água, verso e ficha técnica. As cinco primeiras levam dois minutos com uma amostra na mão. A sexta é a única que vale num lote de mil metros.

O que a lei diz sobre a palavra "couro"?

No Brasil, a Lei nº 4.888/1965 proíbe vender como "couro" qualquer produto que não seja obtido exclusivamente de pele animal — e proíbe também prefixos e sufixos como "couro sintético", "couro ecológico" ou "couro vegano". A infração é tratada como crime de concorrência desleal (art. 195 do Código Penal), com pena de 3 meses a 1 ano de detenção ou multa. Detalhe que muita gente desconhece: até "couro legítimo" é irregular como designação comercial — o material deve ser classificado apenas como couro.

Na União Europeia, a referência técnica é a norma EN 15987 (definições de couro para comércio), e a identificação laboratorial faz-se por microscopia segundo a ISO 17131, que procura a estrutura fibrosa entrelaçada da derme — impossível de imitar num filme polimérico.

Ou seja: se o fornecedor escreve "couro" no orçamento, está a assumir uma responsabilidade legal, não a fazer marketing. Peça por escrito.

Quais são as verificações que funcionam na prática?

#VerificaçãoCouro verdadeiroSintético (PU/PVC)
1Corte da bordaFibra solta, aspecto de feltro, sem camadas nítidasDuas camadas visíveis: filme + tecido de trama regular
2PoroIrregular, nunca se repete; marcas de vida (rugas, carrapato)Padrão que se repete a cada 20–60 cm (cilindro de gravação)
3CheiroAdocicado, terroso, de curtumeNeutro ou químico/plástico
4Gota de águaEscurece e absorve em 10–60 s (menos em couros hidrofugados)Fica na superfície indefinidamente
5VersoCarnaz fibroso, ou camurça no crostaTrama têxtil visível (poliéster/algodão)
6DocumentoFicha técnica com espessura, curtume, ensaiosFrequentemente ausente ou genérica

Duas ressalvas importantes, porque é aqui que a maioria dos guias erra:

Se o que está a comparar não é couro versus sintético, mas sim tipos de couro entre si, o critério muda: veja tipos de couro e a diferença entre couro e pele.

E quando não há amostra na mão? Comprar um lote

Nenhuma das cinco provas físicas se aplica a uma compra B2B fechada por e-mail. Aí, o que separa um lote confiável de um problema são quatro documentos:

  1. Ficha técnica do artigo — origem da pele (bovina, caprina, ovina), tipo de curtimento (crómio, isento de crómio, vegetal), espessura em mm (por exemplo 1,2–1,4 mm para cabedal; 0,6–0,8 mm para forro), acabamento e tamanho médio da pele em pés quadrados.
  2. Ensaios físicos — solidez à fricção (a seco e a húmido), solidez à luz, resistência ao rasgo e flexão. Um curtume que produz sabe estes valores de cor.
  3. Rastreabilidade — quem curtiu e onde. Um intermediário que não sabe responder "em que curtume foi curtido este artigo" está a revender, não a produzir.
  4. Certificação de processo — a auditoria LWG (Leather Working Group) avalia ambiente, água, energia e rastreabilidade da unidade. O nível Gold é o mais exigente da escala.

Na TL San Martín curtimos em Elda, Alicante, desde 1995, com auditoria LWG Gold. Isso significa que a ficha técnica e a origem saem da mesma casa que fez o artigo — não de um catálogo comprado a terceiros. Se quiser confirmar tudo isto com o material na mão, peça amostras; as condições de mínimos estão em comprar couro a um curtume.

Vale a pena pagar mais por couro?

Depende do produto e da vida útil que promete. Para calçado de uso diário, o couro respira e adapta-se ao pé — dois atributos que o PU não reproduz e que se traduzem em devoluções mais baixas. Para artigos de rotação rápida e preço agressivo, o sintético pode ser a escolha racional. O erro caro não é escolher sintético: é vender sintético como couro — em Portugal e no Brasil isso é matéria legal, não de opinião. Para calcular o custo real por par, veja quanto custa o couro e couro para calçado.

Perguntas frequentes

A prova da queima serve para identificar couro?

Não de forma fiável. Destrói a amostra e um acabamento pigmentado espesso pode queimar com cheiro a plástico mesmo sendo couro. Use o corte da borda e o verso.

Couro "PU" é couro?

Não. É poliuretano sobre suporte têxtil. Já o bonded leather contém fibra de couro triturada aglutinada — também não pode ser vendido como couro no Brasil ao abrigo da Lei 4.888/1965.

Como sei a espessura correta para o meu produto?

Peça a ficha técnica em milímetros, não em "grossura média". Cabedal de calçado costuma situar-se entre 1,2 e 1,6 mm; forro entre 0,6 e 0,9 mm; marroquinaria pequena entre 0,8 e 1,2 mm.

O couro genuíno tem sempre poro irregular?

O couro de flor plena sim. Um couro de flor corrigida leva gravação e pode repetir padrão — continua a ser couro, mas o teste do poro deixa de ser conclusivo. Confira o corte.