Couro sem crómio para barefoot: química e ensaios a pedir
A fábrica portuguesa que produz barefoot para marcas da Alemanha e do Norte da Europa recebe a mesma pergunta em cada encomenda: o couro é sem crómio? A resposta certa tem duas partes, e a segunda é a que este outono muda.
Um guia da TL San Martín, curtume de origem em Elda (Alicante, Espanha) desde 1995, com certificação LWG Gold ao abrigo da norma Leather Manufacturer.
Para barefoot, peça couro metal-free ou chrome-free no cabedal e no forro, com relatório de crómio VI (ISO 17075) por lote e cor. Mas o curtume é só metade: desde 10 de outubro de 2026, o Regulamento (UE) 2024/2462 limita o PFHxA a 25 ppb no calçado de consumo, e o risco está no hidrófugo, não no crómio. Peça os dois relatórios.
Portugal produziu 74 milhões de pares em 2025 e vendeu cerca de 93 % no estrangeiro, segundo a APICCAPS. Para uma fábrica que corta barefoot para marcas alemãs, nórdicas ou francesas, isso quer dizer que a química do couro não é decidida em Felgueiras nem em São João da Madeira: é decidida pelo cliente, que lê o relatório antes do preço. Este guia explica que curtume pedir, porque é que «sem crómio» já não basta e que papéis exigir ao curtume.
Para a ficha completa do cabedal barefoot (espessura, consumo, lotes) veja o hub couro para calçado barefoot.
Porque é que o barefoot é mais exigente com a química?
Porque é a categoria do calçado com mais contacto direto entre couro e pele. Não há biqueira nem contraforte, a sola é fina, o cabedal anda nos 1,0–1,4 mm e o forro nos 0,6–1,0 mm, e muitos clientes usam o sapato sem meia. O suor é alcalino e quente, a condição exata em que um corante mal fixado migra e em que o crómio III residual pode oxidar a crómio VI.
Por isso a pergunta do cliente é legítima. E a resposta tem de cobrir o cabedal e o forro: é o forro, não o cabedal, que fica em contacto permanente com o pé. Os pormenores do forro estão em lining leather for barefoot shoes.
Chrome-free, metal-free ou vegetal: qual pedir?
| Curtume | O que significa | Ponto forte | Limite | Em barefoot |
|---|---|---|---|---|
| Crómio com Cr VI controlado | Curtume convencional, Cr VI abaixo de 3 mg/kg | Preço, estabilidade, cores | Não serve um claim «sem crómio» | Aceitável se a marca não faz o claim |
| Chrome-free (wet-white) | Sem sais de crómio | Cr VI impossível por definição | Pode usar outros metais | ✅ O mínimo que a marca DE pede |
| Metal-free | Sem crómio, alumínio, zircónio nem titânio | É o claim que se aguenta numa etiqueta | Custo e prazo de desenvolvimento | ✅ A opção premium |
| Vegetal | Taninos vegetais | Absorção, história natural | Mais rígido, escurece, sensível à água | Debaixo do pé (palmilha), não à volta |
A regra prática: o vegetal vai debaixo do pé, não à volta dele. Num cabedal que torce e dobra a cada passo, o vegetal endurece e marca. Na palmilha, absorve e trabalha bem. A diferença química entre os dois primeiros está explicada em chrome-free leather for barefoot brands.
O que muda a 10 de outubro de 2026?
O Regulamento (UE) 2024/2462 acrescenta ao Anexo XVII do REACH a restrição do PFHxA, um PFAS de cadeia curta usado em acabamentos repelentes de água e de óleo. A partir de 10 de outubro de 2026 aplica-se ao calçado para o público em geral e ao couro do vestuário e acessórios:
- 25 ppb para a soma de PFHxA e seus sais;
- 1.000 ppb para a soma das substâncias relacionadas com o PFHxA;
- o limite aplica-se a cada material homogéneo do artigo, não à média do sapato. O cabedal e o forro contam em separado.
Junta-se a uma regra que já está em vigor há anos: crómio VI abaixo de 3 mg/kg em artigos de couro em contacto com a pele (Anexo XVII, entrada 47, Regulamento (UE) n.º 301/2014).
A consequência é a parte que poucos dizem: o hidrófugo passou a ser tão regulado como o curtume. Uma marca que muda para chrome-free e mantém um acabamento fluorado resolveu a metade do problema que este ano não muda. A primeira pergunta ao curtume deixou de ser «que curtume usa?» e passou a ser «que hidrófugo usa, e tem relatório de PFAS com data?».
Que relatórios deve a fábrica pedir ao curtume?
Cinco, sobre o seu artigo e a sua cor, não sobre uma amostra genérica:
- Crómio VI, EN ISO 17075, também após envelhecimento, por lote. Num chrome-free deve dar «não detetado».
- PFAS / PFHxA, com data e identificação do hidrófugo usado. Se o couro não leva hidrófugo, que o curtume o declare por escrito.
- Solidez da cor à transpiração, ISO 11641, no forro e no lado carne do cabedal. É o ensaio que prevê a cor no pé.
- Solidez ao frote, ISO 11640, seco e húmido.
- Certificado do curtume, com número de auditoria verificável. Num LWG, confirme o estândar e a medalha: o curtume certificado como fabricante é o único que pode ter Gold. Explicamos como lê-lo em como ler um certificado LWG.
Quem curte o couro responde a estas cinco linhas a partir do registo do fulão. Um intermediário costuma responder à primeira e prometer as outras. As perguntas para separar um do outro estão em 12 perguntas ao fornecedor de couro, e o dossiê documental mais amplo em EUDR e couro.
Sem crómio custa mais? E muda o mínimo?
Custa mais e demora mais. O wet-white e o metal-free precisam de mais afinação de recurtume e engorduramento para chegar à mesma maciez, e a gama de cores sai do mesmo processo com mais trabalho. Num cabedal barefoot, a diferença de material por par é pequena face ao preço de venda da categoria; o que pesa é o prazo de desenvolvimento da cor.
Sobre o couro não há mínimo: um artigo de stock chrome-free pode comprar-se a partir de uma pele. Uma cor própria pede uma partida, e uma partida chega para várias centenas de pares. Para uma fábrica que produz para várias marcas, o atalho é usar a mesma base sem crómio para todas e mudar só o acabamento.
A TL San Martín curte em origem em Elda (Alicante), a poucas horas do norte de Portugal, e tem certificação LWG Gold sob o estândar Leather Manufacturer, o único em que a medalha Gold existe; um Trader chega no máximo a «Approved». Fazemos cabedal e forro chrome-free no mesmo programa. Para comparar, peça amostras do cabedal e do forro na mesma cor.
Publique a ficha no Business Board, o quadro B2B aberto e gratuito da TL San Martín para o setor do couro e do calçado. Em Materials, indique curtume, espessura, cor e os relatórios que exige, e os curtumes respondem-lhe diretamente. Se procura uma segunda marca para partilhar uma partida, ou uma fábrica que produza barefoot, use Partners & factories.
Perguntas frequentes
«Sem crómio» e «metal-free» são a mesma coisa?
Não. Sem crómio quer dizer que não se usaram sais de crómio; podem ter-se usado alumínio, zircónio ou titânio. Metal-free exclui todos. Se a marca escreve «metal-free» na etiqueta, o relatório tem de o sustentar.
O couro de crómio passa a ser proibido?
Não. O couro curtido ao crómio continua legal desde que o crómio VI fique abaixo de 3 mg/kg. O que a marca não pode é anunciar «sem crómio» num sapato que leva crómio no cabedal ou no forro.
O limite de PFHxA aplica-se a stock já fabricado?
Aplica-se ao que for colocado no mercado a partir de 10 de outubro de 2026. Se tem couro em armazém com acabamento hidrófugo de origem desconhecida, peça já o relatório de PFAS ao curtume.
O forro também tem de ser sem crómio?
Se a marca faz o claim, sim. E mesmo sem claim, em barefoot é o forro que está em contacto permanente com o pé, por isso é a peça onde o relatório de crómio VI e o de transpiração mais importam.
A TL San Martín curte e acaba couro em Elda, Alicante, desde 1995: LWG Gold ao abrigo da norma Leather Manufacturer — a única norma em que a medalha Gold existe; um Trader chega no máximo a «Approved». Peça amostras antes de especificar seja o que for.