TL San Martín

Sourcing e certificação · Verificação de fornecedor

Relatório de ensaio do couro: o que prova sobre o seu lote

Há três papéis na conversa com um curtume: o certificado, a ficha técnica e o relatório de ensaio. Só o terceiro fala do couro que vai entrar na sua fábrica, e só se tiver os campos certos.

Um guia da TL San Martín, curtume de origem em Elda (Alicante, Espanha) desde 1995, com certificação LWG Gold ao abrigo da norma Leather Manufacturer.

Jorge San Martín · TL San Martín Atualizado: 2026-10-06 Português

Um relatório de ensaio só prova algo sobre o seu lote quando identifica esse lote: número de partida do curtume, artigo e cor, quem recolheu a amostra, de que zona da pele saiu e com que método foi ensaiada. Sem essa ligação, o relatório diz a verdade sobre um pedaço de couro, mas não sobre a sua encomenda.

Certificado, ficha técnica e relatório de ensaio: qual é a diferença?

Cada documento fala de um nível diferente. Confundi-los é a forma mais comum de uma marca achar que tem uma garantia que não tem.

Documento Fala de Pergunta a que responde
Certificado LWGA fábrica (o local)Esta instalação passou uma auditoria ambiental, com que norma e que medalha?
Ficha técnicaO artigoO que é este couro e o que mede normalmente?
Relatório de ensaioUma amostra, idealmente do seu loteO couro que recebeu passou, medido por um laboratório?

O certificado não muda com a sua encomenda: é do local. A forma de o ler está em como ler um certificado LWG. A ficha técnica descreve o artigo "em média"; o que faz uma linha da ficha obrigar o fornecedor explicámos em inglês em leather technical data sheet. O relatório de ensaio é o único que pode falar do seu lote (a partida: o couro curtido, tingido e acabado em conjunto, com o mesmo resultado de cor).

Um termo antes de continuar: crust é o couro já curtido e seco, mas ainda sem acabamento.

Que campos tem de ter um relatório para valer para a sua encomenda?

A norma de competência dos laboratórios, a ISO/IEC 17025, já obriga a um mínimo na cláusula 7.8: identificação única do relatório, nome e morada do laboratório, identificação do método, descrição e identificação do item ensaiado, data de receção e data do ensaio. E os relatórios costumam trazer uma frase que convém ler com atenção: os resultados referem-se apenas aos itens ensaiados.

Essa frase é o ponto central. O laboratório garante o pedaço de couro que recebeu. A ligação entre esse pedaço e a sua encomenda tem de vir escrita no relatório, e é a marca que a deve pedir:

  1. Número de lote do curtume e referência do artigo e da cor, iguais aos da guia de remessa.
  2. Quem recolheu a amostra. "Amostra fornecida pelo cliente" significa que o laboratório não sabe de onde veio.
  3. Posição de amostragem segundo a ISO 2418. A espessura e a resistência mudam entre o grupon (a zona central do dorso) e as ilhargas; a norma fixa de onde se corta o provete.
  4. Condicionamento segundo a ISO 2419 antes dos ensaios físicos: sem ele, os valores de rasgamento ou flexão não são comparáveis.
  5. Acreditação com âmbito. O logotipo de acreditação não chega: confirme que o ensaio concreto está no âmbito acreditado do laboratório. Em Portugal, o organismo de acreditação é o IPAC.
  6. Limite de quantificação em cada resultado químico. "Não detetado" sem limite indicado não permite comparar com o limite legal.

Que ensaios pedir e com que limites?

Há ensaios com limite legal na UE e ensaios cujo limite é o que a marca escrever na especificação. Não os misture.

Ensaio Método Limite Origem do limite
Crómio VIEN ISO 170753 mg/kgLegal: REACH Anexo XVII, entrada 47 (couro em contacto com a pele)
Aminas aromáticas de corantes azoicosEN ISO 17234-130 mg/kg por aminaLegal: REACH Anexo XVII, entrada 43
EspessuraEN ISO 2589Intervalo em mm por zonaEspecificação da marca
Solidez da cor à fricçãoISO 11640Grau mínimo, seco e húmidoEspecificação da marca
RasgamentoISO 3377-2Força mínima em NEspecificação da marca
FlexõesISO 5402-1Ciclos sem fissuraEspecificação da marca

Os químicos legais são os que mais pesam. O crómio VI não é o crómio do curtume: forma-se por oxidação do crómio III, e por isso vale a pena ensaiá-lo por lote em artigos que tocam a pele, como forros e palmilhas. Se a sua coleção é chrome-free, o ensaio continua a fazer sentido como verificação: a nossa checklist de perguntas ao fornecedor mostra como pedir a declaração por escrito.

Os físicos dependem do produto. Um couro para calçado não tem os mesmos mínimos de um couro para marroquinaria, e o laboratório só mede; não decide se o resultado é bom.

Quando é que um relatório não serve?

Seis sinais de alerta, por ordem de gravidade:

Se o fornecedor só tiver relatórios genéricos, não é necessariamente má-fé: muitos intermediários nunca viram o lote. É uma das diferenças entre comprar a um curtume de origem e a um armazenista, e o que perguntar está em couro verdadeiro ou sintético.

Como pôr isto na encomenda?

Escreva o relatório como condição de entrega, não como favor. Três linhas chegam:

  1. Que ensaios, por lote ou por estação. Por exemplo: crómio VI por lote; físicos por artigo e estação.
  2. Quem recolhe e quem paga. Amostra retirada do lote pelo curtume e identificada, ou recolhida pelo seu laboratório.
  3. O que acontece se falhar. Lote retido até novo ensaio, ou substituição.

A TL San Martín curte e acaba couro em Elda (Alicante) desde 1995, com certificação LWG Gold segundo a norma Leather Manufacturer: a única norma LWG em que a medalha Gold existe; um Trader chega no máximo a "Approved". O certificado é da fábrica; o relatório de ensaio é do seu lote. Precisa dos dois.

Aviso. Os limites legais citados vêm do Regulamento (CE) n.º 1907/2006 (REACH), Anexo XVII, entradas 43 e 47, na versão consolidada publicada no EUR-Lex. Este guia não é aconselhamento jurídico: a TL San Martín é um curtume, não um consultor de conformidade. Confirme no EUR-Lex e com o seu laboratório os requisitos aplicáveis ao seu produto e mercado.

Se precisa de um laboratório, de um técnico de qualidade ou de outra opinião sobre um relatório que recebeu, pergunte no Business Board, o quadro B2B aberto e gratuito do couro e do calçado.

Publique o seu pedido no Business Board

Precisa de couro com relatório por lote, ou de um laboratório que ensaie o que já recebeu? Publique na categoria Materials do Business Board (artigo, espécie, espessura, ensaios e quantidade) ou em Freelance & services se procura um técnico ou laboratório. Ou peça amostras indicando os ensaios de que precisa.

Perguntas frequentes

O certificado LWG substitui o relatório de ensaio?

Não. O LWG audita o desempenho ambiental da fábrica. Não mede o crómio VI nem a resistência do couro que lhe foi entregue. São documentos complementares.

Com que frequência devo pedir o relatório?

Para químicos com limite legal em couro que toca a pele, por lote é o mais seguro. Para ensaios físicos, por artigo e estação costuma chegar, desde que a receita não mude.

Um relatório do curtume vale tanto como um do meu laboratório?

Vale se o laboratório for acreditado para esse ensaio e se a amostra estiver identificada com o seu lote. Se não, use-o como controlo de processo e faça uma verificação independente por amostragem.

O que significa "resultado abaixo do limite de quantificação"?

Que o método não consegue medir abaixo desse valor. Para o crómio VI, o limite de quantificação deve estar abaixo de 3 mg/kg; caso contrário o resultado não demonstra conformidade.

A TL San Martín curte e acaba couro em Elda, Alicante, desde 1995: LWG Gold ao abrigo da norma Leather Manufacturer — a única norma em que a medalha Gold existe; um Trader chega no máximo a «Approved». Peça amostras antes de especificar seja o que for.